Como manipular metadados de fotos no Linux com o exiv2

16, dezembro, 2009 rodrigo Sem comentários

Algumas vezes quando viajo mais de uma pessoa leva câmera fotográfica. Quando volto, gosto de juntar todas essas fotos em um único diretório e renomear elas de acordo com a data de criação para poder vem as fotos em ordem independente da câmera. Para fazer isso uso a ferramenta para renomear em lote do software digiKam. Para fazer isso, usava o digiKam mas não encontrei essa opção na nova versão que vem com o Ubuntu 9.10. Utilizei então o Krename.

Porém, algumas vezes a data e o horário de uma das câmeras não está certo e, por tanto, o metadado referente a data de criação das fotos está errado. Para poder renomear as fotos levando em conta a data de criação é necessário então primeiro corrigir o metadado. Para isso utilizo o exiv2, uma ferramenta de linha de comando para linux para editar metadados de fotos.

Para instalar o exiv2 no Ubuntu basta rodar o seguinte comando:

sudo aptitude install exiv2

Para ver os metadados de uma foto basta passar o nome do arquivo como primeiro parâmetro para o software (onde foto.jpg deve ser trocado pelo nome do arquivo):

exiv2 foto.jpg

Também é possível inserir, deletar, modificar ou renomear metadados. Informações sobre como utilizar esses recursos podem ser obtidas na man page do programa:

man exiv2

Existe ainda o recurso de ajustar a data e horário de criação de uma ou mais fotos passando um número de horas, ou dias, ou meses (etc). Com isso basta descobrir em quanto a data da câmera que tirou as fotos estava errada (comparando por exemplo os metadados de duas fotos tiradas com câmeras diferentes mais ou menos no mesmo horário) e utilizar o recurso de ajustar data e horário do exiv2.

A opção para ajustar é a ad e ela depende de pelo menos mais um parâmetro que pode ser (tradução livre da man page):

  • -a tempo – Ajustar tempo no formato [-]HH[:MM[:SS]]. Essa opção só pode ser usada com a ação de ajustar (ad). Exemplos: 1 adiciona uma hora, 1:01 adiciona uma hora e um minuto, -0:00:30 subtrai trinta segundos.
  • -Y anos – Ajuste de tempo com base num número positivo ou negativo de anos.
  • -O meses – Ajuste de tempo com base num número positivo ou negativo de meses.
  • -D dias – Ajuste de tempo com base num número positivo ou negativo de dias.

Por exemplo, para arrumar em uma hora e meia o horário de todas as fotos da extensão JPG que estão em um determinado diretório:

exiv2 ad -a 1:30 *.jpg

Ou então para subtrair duas horas, quarenta minutos, quinze dias e dois meses:

exiv2 ad -a -2:40 -D 15 -O 2 *.jpg

Ps: alguém conhece alguma interface gráfica para Linux que permite fazer esse tipo de manipulação de fotos?

Dois vídeos e fotos do TikiFest em Barcelona

23, setembro, 2009 rodrigo Sem comentários

No começo de agosto estive em Barcelona para mais um encontro da comunidade do Tikiwiki, o TikiFest Barcelona (http://tikiwiki.org/TikiFestBarcelona). Enquanto eu trabalhava no meu projeto para o Google Summer of Code, o restante do pessoal estava lá para desenvolver um novo recurso para o Tikiwiki: workspaces.

O Luci publicou muitas fotos do encontro quase todas com legendas engraçadas nesse link aqui http://picasaweb.google.com/mindbro/TikiFestBarcelona2009

Além das fotos, foram feitos dois vídeos do encontro. O primeiro foi feito pela Vladislava, mulher do Luci, ela é Tcheca e trabalha para uma televisão chinesa independente (é uma televisão chinesa proibida na China). É um vídeo com um carater mais institucional, de divulgação do Tikiwiki, com entrevistas com alguns dos membros da comunidade (mais informações sobre a matéria http://english.ntdtv.com/ntdtv_en/ns_europe/2009-08-13/093675925612.html).

O segundo vídeo foi feito pelo Xavier, ele é de Barcelona e foi quem organizou toda a logística do encontro. O vídeo dele é mais longo e mostra um pouco mais da dinâmica do encontro.

http://media.ntdtv.com/ebrief/news/20090813-wn-15-tikifest in barcelona.flv

Por favor, habilite o Javascript e Flash para assistir este vídeo Blip.tv .

GSOC TikiFest in London

25, julho, 2009 rodrigo Sem comentários

In the first week of July I was in London for the GSOC (Google Summer of Code) TikiFest. TikiFests are a tradition in the Tikiwiki community. It is when two or more Tiki contributors get together to code, discuss about free software etc.

This time the main reason for the TikiFest was to gather together all the students from GSOC who are working in the Tikiwiki projects. This is the first year Tikiwiki is participating in GSOC and there are four students involved, including myself.

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Two students from Spain, Aldo and Ben, are working together to create the new workspaces feature (the ability to have collections of items/objects that allow different set of users to have different kinds of access in a single Tikiwiki installation). For more information on their project see the wiki page http://dev.tikiwiki.org/workspaces. At the TikiFest they presented their work done until that moment and we discussed some tricky aspects of the implementation. The development of the workspaces is of great interest for the Tikiwiki community and there are more people working on it at present besides the two GSOC students. On the first week of August there will be another TikiFest in Barcelona just to discuss and develop some parts of the workspaces.

Another student from India, Nagendra, was there to present his project which will allow online video edition in Tikiwiki using the Kaltura API. Maybe in the future we will be able to edit video the wiki way using this.

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And finally I presented my project to create a migration script from Mediawiki to Tikiwiki. As my mentor on this project, Nelson Ko, was at the TikiFest I had a great opportunity to make some crucial decisions for the project. Mainly to leave phpBB for another project and focus only on the migration from Mediawiki to Tikiwiki.

Beside the presentation of the projects, we also discussed some interesting aspects of the free software world. Aldo and Amette showed some of the great features Git has over SVN and we discussed how the Tikiwiki community could benifit from moving to Git (for example merging branches is much easier with Git). It was agreed that as an expemeriment the workspaces development would be done using Git.

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Jonny talked about the recent development of the Tikiwiki profiles and Jean-Marc showed some inconsistencies between the administration page of different Tikiwiki features and we discussed possible interface standards for those pages.

Olaf-Michael brought the discussion about Tiki as an open translation tool. He told us about http://translatewiki.com/, a place to centralize and make the translation of different open source wiki softwares as easy as possible. They are interested in putting Tikiwiki in the pool of softwares they translate and Olaf is in contact with them to make this happen. Although the way Tikiwiki handles with translations at present (a PHP array for each language with key/value pairs) is accepted by TranslateWiki I mentioned at the TikiFest that it would be a good idea for the Tikiwiki community to switch to a standard open source tool for translation like gettext.

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At present it is hard for a non-technical person to start helping with Tikiwiki translation. As I host several sites using Tikiwiki for different Brazilian social movements I am very interested in making it easier to translate. I think that using a standard tool for that purpose is a great first step. We can take advantage of all the tools built around gettext that already exist. I plan to look at this question in the next weeks, so if anyone else is also interested please do let me know. Apparently it is not that hard to convert to gettext. PHP has gettext built-in support and there is already a script to convert from Tikiwiki language.php files to gettext. Before moving, as mentioned by Jean-Marc, it is a good idea to talk with people from other projects that already use gettext to learn from their experience.

On the last day of the meeting, Aldo, Ben and I (unfortunately Nagendra had to leave the day before) talked about the difficulties we had with Tikiwiki when we started our projects. We agreed that the lack of technical documentation and tests were the two most difficult aspects.

Without technical documentation we had to read the code to understand what a function does and without tests it is much harder to know if the change you are making will break something elsewhere in the code. With this in mind we are using in our projects phpDocumentor and PHPUnit. By using phpDocumentor we can have some day, as proposed by Aldo in the devel list, api.tikiwiki.org. Very similar to http://api.joomla.org/ or http://api.cakephp.org/. Which can help to atract more contributors. PHPUnit is already used in a few parts of Tikiwiki. Louis-Phillipe created on trunk the directory lib/core. All the code there have tests. Alain Desilets and Marta Stojanovic are using PHPUnit with Selenium to write acceptance tests for Tikiwiki.

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This is what I remember from the discussions we had during the five days of GSOC TikiFest. If I forgot to mention something please leave a comment.

De bicicleta em Londres!

12, julho, 2009 rodrigo 9 comentários

A viagem pela Europa começou em grande estilo. Vim para Londres para participar de um encontro da comunidade do Tikiwiki, o GSOC TikiFest, para discutir os projetos do Google Summer of Code (em breve vou escrever um post relatando como foi o encontro e a apresentação do meu projeto).

A maioria das pessoas que participou do encontro da comunidade do Tikiwiki em Londres

A maioria das pessoas que participou do encontro da comunidade do Tikiwiki em Londres

Antes de sair de São Paulo, graças a ajuda de um amigo da Bicicletada consegui um lugar para ficar durante meus dias em Londres, a casa da irmã dele. Quando desci no aeroporto pensava que para esses dias serem perfeitos só faltava eu arranjar uma bicicleta para me locomover pela cidade. O transporte público funciona muito bem, metro e ônibus para todos os lados. Mas também é muito caro, pelo menos da ótica de alguém que ganha em reais. Se não conseguisse a bicicleta, meu plano era caminhar os cinco quilometros que separam a casa onde fiquei do local do encontro.

A viagem de São Paulo para Londres correu bem. Meu lugar era na janela, estava louco para ver o oceano de dentro do avião, porém quando começamos a sobrevoar o mar já era noite (não sei porque estava com essa idéia na cabeça de que o avião sairia de São Paulo direto para o oceano, quando na verdade ele sobrevoa o continente até o extremo norte do nordeste brasileiro). Assisti a Era do Gelo e conversei bastante com um cara de Natal e uma senhora de Buenos Aires. Eles ocupavam dois assentos e meio e eu tinha que me virar com a metade de um assento que sobrava :-)

Vooei com a British Airways, quando fiz o checkin online solicitei refeições vegetarianas e tudo funcionou bem. Tanto na janta, como no café da manhã, eu recebi uma refeição especial. Fiquei feliz por eles terem estrutura para atender esse tipo de demanda. Não sei como funciona com outras companhias. Será que todas são amigáveis com os vegetarianos?

Chegando em Londres minha grande preocupação era com a imigração, não me animava nenhum pouco a idéia de chegar lá e ser mandado de volta para o Brasil no próximo avião. Ao mesmo tempo me sentia o imigrante ilegal perfeito. Não tenho propriedades no Brasil, não sou casado, não estudo e só consigo comprovar mais ou menos um vínculo de trabalho (não tenho CLT). Tinha mais de uma dezena de documentos para mostrar. No fim fui atendido por uma mulher super simpática que perguntou a razão da minha visita, pediu para ver minha passagem de volta para o Brasil e a passagem para a Suécia e nada mais. Grande alívio!

A bicicleta que usei durante os meus dias em Londres

A bicicleta que usei durante os meus dias em Londres

Encontrei com a Ludmila numa estação de metro e fomos para a casa da irmã dela, onde eu fiquei hospedado. Ainda no caminho, no ônibus, ela me perguntou se eu tinha interesse em usar durante meus dias lá uma bicicleta de um amigo que estava encostada há algum tempo. Perfeito! No mesmo dia sai para pedalar pela cidade.

Passei cinco dias em Londres e em todos utilizei a bicicleta. No que diz respeito a locomoção de pessoas, São Paulo tem muito a aprender com Londres. Bicicleta lá é considerado um meio de transporte (ao contrário de São Paulo que ainda teima em ver a bicicleta como lazer). Tem um site legal para planejar rotas de bicicleta: http://www.tfl.gov.uk/roadusers/cycling/11598.aspx

Óbvio que nem tudo é perfeito, nos meus dias por lá cruzei com duas ghost bikes (uma delas é a da foto abaixo) e certamente existem outras. Porém é emocionante ver o respeito dos motoristas, principalmente dos motoristas de ônibus. Em todos os meus dias não levei uma fina, nenhuma busina. Os ônibus ou me esperavam até parar no ponto ou então me ultrapassavem mudando completamente para a faixa ao lado.

Bike ghost

Bike ghost

Ao contrário de São Paulo, que continua investindo na lógica do transporte individual como fica claro na recente iniciativa da Kassab e Serra de proibir a circulação de ônibus fretado no centro da cidade e de derrubar árvores para ampliar pistas na marginal, em Londres existe uma clara política pública em favor do transporte coletivo e alternativo. Automóveis particulares tem que pagar para circular no centro, existem ciclovias e bicicletários para todos os lados (e cada vez mais também ladrões de bicicleta), os pontos de ônibus tem informação sobre o itinerário e os horários das linhas que passam por ali.

Local para guardar as bicicletas em um prédio

Local para guardar as bicicletas em um prédio

Todas são coisas relativamente simples de fazer (nenhuma delas demanda uma intervenção tão drástica na estrutura urbana com demanda por exemplo a ampliação da marginal) e podem melhorar muito o fluxo de pessoas em São Paulo.

Ps: nos seis dias que passei em Londres ouvi buzina de carro apenas duas vezes (literalmente). Interessante. Não que Londres seja o paraíso, as duas vezes que ouvi buzina de carro foram em situações típicas de stress no trânsito. Na primeira um motorista de carro buzinou para pedestres: “saiam da frente se não eu passo por cima”. E na segunda um carro reclamou com o outro. Mas de qualquer forma é curioso pensar porque será que em São Paulo tem tanto barulho de buzina.

How to run phpt tests with PHPUnit

12, junho, 2009 rodrigo Sem comentários

In this post I will explain how to run phpt tests with PHPUnit.

For my GSOC project I will use (and contribute to) the PEAR package Text_Wiki (more about my contributions on this package on another post). This package use phpt tests for unit testing. I’m not familiar with phpt tests as I’m with PHPUnit and phpt tests didn’t give me a good impression (its difficult to understand feedback and its syntax mixing PHP code and plain text statements lead to improper syntax highlighting in Emacs :-D ).

So I proposed the main developer of Text_Wiki to switch to PHPUnit. He had no objections if I were able to provide a solution that made possible to run the old phpt tests with the new PHPUnit tests at the same time.

I found that there is a PHPUnit extension that does exactly what I was looking for. As I wasn’t able to find a tutorial explaining how to use it, I decided to write this post to share the way I used that extension.

I’m using version 3.3.17 of PHPUnit and it came with two phpt related extensions located in the directory PHPUnit/Extensions (if you use Ubuntu as I do the full path will probably be /usr/share/php/PHPUnit/Extensions): PhptTestCase.php and PhptTestSuite.php

The first one implements the class PHPUnit_Extensions_PhptTestCase. The constructor of this class receive as a parameter the path to a single phpt file. I did not use this one.

The other file implements the class PHPUnit_Extensions_PhptTestSuite. You can instantiate this class in your test script passing as the first parameter the root directory where your phpt files are located. The constructor of the class will recursively look for all files with the extension .phpt.

On the link below you can view the code I used to integrate the old Text_Wiki phpt tests with the new PHPUnit classes I’m writing:

http://cvs.php.net/viewvc.cgi/pear/Text_Wiki/tests/tests.php?revision=1.2&view=markup

Vídeo sobre equipamentos para escalada em alta montanha

31, maio, 2009 rodrigo Sem comentários

O Davi Marski publicou um vídeo interessante sobre equipamentos para escalada em alta montanha. Além do vídeo, no post, ele cita alguns livros fundamentais para praticantes desse esporte.

O “Mountaineering: Freedom of the Hills” eu tenho (em espanhol: “Montañismo: La Libertad de las Cimas”) e já li, o Extreme Alpinism peguei emprestado há muito tempo atrás, seria legal ler de novo. Os outros que ele cita não conhecia. Fiquei com vontade de ler o “Escalada en nieve y hielo”, infelizmente não encontrei no Better World Books.

Para quem tiver interesse, segue o link para o post http://www.blog.marski.org/?p=545

First day of GSOC 2009

26, maio, 2009 rodrigo Sem comentários

English version below

Há algumas semanas atrás saiu a lista de projetos aprovados para o GSOC 2009 (Google Summer of Code) e meu projeto de implementar um importador de MediaWiki e phpBB para Tikiwiki foi aceito.

Hoje foi o primeiro dia de trabalho, entrei em contato com o Nelson Ko (o mentor do meu projeto) e definimos alguns objetivos para essa primeira semana. Vou pesquisar alguns importadores feitos anteriormente pela comunidade do Tikiwiki e que nunca foram finalizados bem como outros scripts para importar o MediaWiki para outros softwares. Além disso pretendo dar uma olhada na documentação da sintaxe do MediaWiki (a idéia é começar por esse software e deixar o phpBB para uma segunda fase).

Para o fim da semana pretendo ter uma avaliação das implentações existentes para ter uma idéia do caminho que o software que vou criar vai seguir. E também ter uma tabela comparativa entre a sintaxe do MediaWiki e do Tikiwiki indicando quais sintaxes serão fáceis de suportar, quais serão difíceis e quais não serão suportadas.

Pretendo publicar de vez em quando algumas atualizações aqui no blog sobre esse projeto, quem quiser acompanhá-lo de perto pode monitar a página wiki usada para documentação.


A few weeks ago Google released the list of approved projects to GSOC 2009 (Google Summer of Code) and my project (a script to import MediaWiki or phpBB content to Tikiwiki) was accepted.

Today was my first GSOC working day. I talked with Nelson Ko (my mentor for this project) through Skype (he lives in Canada and I in Brazil) and we decided the goals for this first week. I’ll research some old importers made by the Tikiwiki community and some scripts to import MediaWiki content to other software. I am also going to read the syntax documentation of MediaWiki (the plan is to start with MediaWiki and leave phpBB to a second stage).

By the end of the week I intend to perform an evaluation of the old scripts to start planning my implementation and I will produce a comparative table of TikiWiki and MediaWiki syntax to define what is simple to import, what is difficult and what is not going to be imported.

Occasionally I plan to update this blog with news about the GSOC. If you are interested in the project I suggest that you monitor the wiki page used to document my progress.

Como impedir que o editor do Wordpress (TinyMCE) remova quebras de linha

4, maio, 2009 rodrigo 6 comentários

Atualização (15/10/2009): o Rafael Biriba deixou um comentário falando do PS Disable Auto Formatting, um outro plugin do Wordpress que também server para impedir a remoção automática das tags “br” e “p”.


Mais de uma vez quis formatar o texto de um post do Wordpress usando algumas quebras de linha (enter) para separar dois blocos de texto ou então um bloco de texto de uma imagem. Porém, por padrão o editor do Wordpress, o TinyMCE, remove qualquer tag “br” ou “p” que ele considere que esteja “sobrando”.

Talvez exista uma forma mais inteligente de se fazer isso sem usar quebra de linha, porém eu desconheço e já perdi um bom tempo tentando enganar o editor.

Ontem, encontrei o TinyMCE Advanced um plugin que tem uma opção para que as tags “br “
e “p” não sejam removidas e além disso permite customizar os itens que aparecem na barra de edição. Abaixo um screenshot de parte da tela de administração:

Parte da tela de administração do TinyMCE Advanced

Moderação de usuários no Wordpress

17, abril, 2009 rodrigo Sem comentários

Uma das demandas do portal eletrocooperativa.org.br (um dos projetos desenvolvidos pelo Hacklab neste semestre) é a moderação dos usuários que se registram no site. Como esse recurso não existe no core do Wordpress, saímos em busca de um plugin.

O Leo encontrou no diretório de plugins do Wordpress (http://wordpress.org/extend/plugins/) o New User Approve, uma extensão simples que faz exatamente o que precisávamos. Durante o desenvolvimento encontramos dois problemas na versão atual (1.0):

  1. Se um usuário é criado pelo administrador e não pelo formulário de registro, ele aparece na listagem de usuários para moderação e se o administrador aprová-lo sua senha será alterada.
  2. Com o plugin habilitado, o formulário de registro sempre mostra uma mensagem de usuário criado com sucesso mesmo quando ocorreram erros (como por exemplo nome de usuário já existente ou senhas não conferem).

Fizemos dois patches para corrigir esses erros e enviamos para o desenvolvedor do plugin. Essa é a melhor parte do software livre :-)

Ele agradeceu mas infelizmente ainda não teve tempo para incorporar as mudanças no código e lançar uma nova versão. Acredito que o fará em breve.

Se alguém precisar da mesma funcionalidade e quiser utilizar o plugin com as correções, o patch está disponível neste link (mais detalhes podem ser vistos nos comentários que fiz na página do próprio plugin).

Atualização (em 22/04/2009): foi lançada uma nova versão (1.1) do plugin que incorpora os patches que enviei, basta baixá-la aqui.

Lo más importante son los veinte

23, fevereiro, 2008 rodrigo Sem comentários

Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Argentina/Mendoza/Mendoza/blog-249321.html


Um dia antes de saírmos para o Cerro Plata, chegou no albergue onde estamos hospedados um casal voltando do cume do Aconcaguá. O cara tinha a ponta de todos os dedos com princípio de congelamento (pontas inchadas e cor roxo escuro) e a mulher não conseguia andar direito pois um dos pés também tinha congelado.

Obviamente essa imagem mexeu bastante comigo. Estávamos prestes a tentar uma coisa muito parecida (tudo bem que o Cerro Plata é muito mais fácil que o Aconcaguá, até por isso que escolhemos o primeiro e não o segundo) e tinha certeza de que não queria voltar como eles voltaram. Eles chegaram ao cume. Apesar do pouco tempo que conversamos fiquei com a impressão de que estavam felizes. O sacrificio valeu a pena por terem chegado ao lugar mais alto do mundo fora do Himalaia. Eu não penso assim e gosto muito dos meus dedos.

De Mendoza pegamos um transporte que nos deixou na estação Ski e Montaña, o transporte é organizado pelo próprio pessoal da estação. Chegamos de carro a 2900m de altitude, começamos a caminhar e cada passo implicava em estar o mais alto que já estivemos em toda nossa vida. As mochilas estavam bastante pesadas com comida para oito dias e mais equipamentos para frio, alguma coisa em torno de trinta ou trinta e cinco quilos. Apesar de ser aproximadamente o mesmo que levávamos no circuito grande do Torres del Paine a altitude fazia com que tudo fosse mais difícil e devagar.

Dormimos a primeira noite no acampamento Veguitas, cerca de uma hora de caminhada depois da estação de ski. No dia seguinte partimos para tentar o cume do San Bernardo uma montanha de 4200m para começar a aclimatação. Não tínhamos idéia do que esperar duma montanha nessa altitude e saímos com as mochilas de ataque cheia de casacos que não chegamos a usar.

O dia seguinte foi marcado por uma lenta e difícil caminhada até o acampamento Salto de água (4200m). Dessa vez deu para sentir de verdade a dificuldade de se caminhar em altura, cada passo precisa ser acompanhado de uma respiração mais profunda e ainda sim sempre fica a sensação de que não há ar suficiente. No acampamento há um domo da Ski e Montaña que oferece uma série de serviços para quem estiver afim de gastar uma grana a mais. É possível contratar mulas para subir e baixar cargas, comprar refeições ou mesmo mantimentos. Além do funcionário da empresa, haviam mais duas barracas. Uma de um uruguaio e outra de um brasileiro que estava aclimatando para tentar o Ojos del Salado (http://www.rosier.com.br).

O dia seguinte foi dedicado ao ócio para o corpo se acostumar a altura. Até esse momento estava feliz por não ter sentido nenhum sinal da altitude, nem dor de cabeça, nem enjôo, nem dificuldade para comer. Comecei a viver a ilusão de que iria chegar aos 6100m do Cerro Plata e voltar sem qualquer incômodo. Combinamos com o brasileiro de irmos no dia seguinte até o Portuzuelo Plata-Vallecitos (5100m) para aclimatar e também já conhecer parte do caminho que faríamos no dia que tentássemos o cume.

Partimos para o portozuelo por volta das nove horas da manhã junto com o brasileiro Rosier e mais dois mendocinos que estavam num acampamento um pouco abaixo, o Piedra Grande. Um deles ia tentar o cume do Vallecitos e o outro, também Rodrigo de apenas 16 anos, ia até o portozuelo, pois seu pai, montanhista pioneiro na região, não deixava ele chegar mais alto com essa idade. Os dois nativos não paravam de comentar como um tempo limpo e sem vento como o daquele dia era um milagre.

Pouco antes de chegarmos ao nosso objetivo a ilusão de voltar da expedição sem qualquer problema em função da altitude acabou. Minha cabeça começou a doer e o incômodo, alguma coisa do tipo “parem o mundo que eu quero descer”, só foi acabar algumas horas depois quando já havíamos voltado para as barracas.

A caminhada até o portozuelo foi extremamente cansativa em função da altitude, mas sem nenhuma dificuldade técnica. Fazia algum tempo que não nevava e por isso os trechos de gelo eram minúsculos. Na chegada fiquei abismado com a visão, que segundo algumas pessoas que estavam no Salto de Água é considerada mais bonita que a do próprio Aconcaguá. Do Portozuelo Plata-Vallecitos é possível ver a face sul do Aconcaguá e o Cordón de la Jaula, uma formação de rocha impressionante. São nesses momentos que encontro o sentido de fazer tudo isso, de investir tanto tempo nessa atividade, e ainda assim não consigo colocar em palavras. É uma sensação.

O restante desse dia e do dia seguinte foram novamente dedicados ao ócio. Nos momentos de descanso dedicamos bastante tempo para cozinhar. Apesar do peso extra que isso representa, gostamos de comer comidas gostosas. Nada como um arroz integral com lentilha e algum legume para renovar as energias.

Cada minuto do dia de descanso passou muito devagar, o dia seguinte era o tão esperado dia de tentar o cume do Cerro Plata. Já havíamos terminado de ler por completo a revista e o livro que havíamos levado (isso sem mencionar as embalagens de todos os alimentos que tínhamos). A ansiedade também era grande pois não tínhamos muita idéia do que nos esperava depois do portuzuelo. Não tínhamos botas plásticas e todo mundo falava que era necessário. Não tínhamos mintones e todo mundo falava que era bom ter. No final da tarde NEVE!!! Genial!!! Tudo branco!!!

Fomos dormir com a incerteza de sair para atacar o cume ou não em função da melhora do tempo durante a noite. As três e meia da madrugada acordei com o Xuxa me chamando, ou seja, ferozmente balançando minha barraca fazendo muito barulho (não acordo de outra forma). O tempo parecia bom e tudo estava pronto. Era tomar café da manhã e partir. Saímos do acampamento por volta das cinco junto com um outro grupo guiado que ia tentar o cume do Vallecitos e mais duas pessoas que, como nós estavam por conta própria. Na luz da lanterna de cabeça seguimos os totens e os passos dos dois que estavam a nossa frente. O início do caminho foi relativamente tranqüilo, não fazia muito frio, não ventava e estávamos nos sentindo bem.

Conforme ganhamos altitude e o nascer do dia foi se aproximando, o frio aumentou significativamente. Como era de se esperar os pés e as mãos eram os que mais sentiam. Paramos por duas vezes para colocar mais luvas ou casacos. Paramos mais uma vez para tomar chá que estava nas garrafas térmicas pois a água dos cantis congelou. Segundo um dos dois caras que caminhavam na frente com a gente fazia alguma coisa em torno de seis graus negativos. Quando já podíamos ver uma linha de claridade no horizonte começou a ventar e o frio aumentou. Tive a desagradável sensação de perder a sensibilidade da ponta de todos os dedos da mão, o meu pé estava bem. O Xuxa, por sua vez, sentia muito frio apenas nos pés. Inevitavelmente lembrei do casal que havia feito o cume do Aconcaguá. Não tinha a menor idéia de quão longe meus dedos estavam de ficar iguais aos dedos daquele cara. Medo.

No Portozuelo Plata-Lomas Amarillas (um pouco abaixo do Portozuelo Plata-Vallecitos), decidimos que o melhor era descer e desistir do cume. Poucos minutos depois, ainda próximo do lugar mais alto que havíamos chegado naquele dia, o Sol deu as caras e o frio diminuiu bastante. A chance de voltar a subir e tentar o cume era clara. Optamos por não segui-la. Era possível que desse tudo certo e fôssemos até o Cerro Plata, mas se o tempo ficasse feio no meio do dia era bem possível que tivéssemos problemas. Não estava afim de apostar que o tempo ia ficar bom e arriscar perder de novo a sensibilidade dos dedos.

Um pouco mais para baixo, já com o Sol alto e sem frio nenhum começamos a brincar com a neve que cobria todo o caminho que dois dias atrás era somente rocha. Muitas fotos e guerra com bolas de neve. Chegamos no acampamento depois de parar muitas vezes para tirar as camadas de casacos e ainda assim estávamos com calor.

Comecei a conversar com um mendocino que já havia feito o Plata numa outra temporada e estava lá agora para tentar o Vallecitos. Expliquei porque havíamos desistido do cume e ele me disse que em alta montanha “lo más importante son los veinte” (dedos). Desde então essa frase não sai mais da minha cabeça, acho que vou adotar como lema pessoal em relação ao montanhismo.

Desmontamos as barracas e descemos para a estação de ski no mesmo dia, de onde pegamos o transporte para Mendoza. Já no albergue encontramos com o casal do Aconcaguá, a menina estava bem melhor, já conseguia caminhar. O cara tinha bandagens com um pouco de sangue em nove dos dez dedos da mão. Ainda não tive (e acho que não vou ter) coragem de perguntar o que aconteceu e como ele está.

Se possível ano que vem (ou em outro momento) volto para Mendoza para tentar mais uma vez o Cerro Plata. Escolhemos esse cerro como primeira experiência em alta montanha pois nos disseram que seria uma boa escola, um bom lugar para começar. Certamente aprendi muito e já estou contando os dias para voltar e aprender mais (e me divertir). Nos próximos dias, se me animar, devo fazer um post com algumas informações mais detalhada que podem servir para quem quiser tentar alguma coisa parecida no Cerro Plata.