Tiki Fest Montreal 5

Below some pictures from the first day of Tiki Fest Montreal 5. A Tiki Fest is a

This was the third time I have been to a TikiFest (the first two were in London and Barcelona last year).

Marc did a presentation of Tiki 5.0. He did a new installation and configured  the software based on the necessities brought by some folks that might use Tiki as the wiki engine for Bixi (one of the most amazing things of Montreal and for sure a subject for a next post).

Louis-Phillipe talked about category transitions and I showed my ideas for the blog revamp. I will be working to improve Tiki Blog during this (northern) summer.

Vulcão Osorno

Vulcão Osorno visto do caminho de acesso
Vulcão Osorno visto do caminho de acesso

O vulcão Osorno fica próximo a cidade de Puerto Varas no Chile. A aproximação é muito fácil e rápida. Com “apenas” 2652m de altitude, chega-se de carro no local do primeiro e único acampamento, por uma estrada asfaltada e boa. É possível inclusive pular o pernoite, chegar de madrugada e já começar a ascensão. Além disso, a caminhada em si é rápida, em torno de sete horas ida e volta. Por outro lado, é uma montanha um pouco técnica. Sua ascensão inclui caminhada por glaciar e superar um pendente de neve e gelo de uns 50 graus.


Prelúdio

No começo de fevereiro, fiz, na companhia do Xuxa e da Carmen, um curso de escalada em gelo e travessia de glaciar (organizado pelas empresas Andes Ascenciones e Marumby) em Bariloche. Após nove dias de aulas práticas e teóricas queríamos ir para uma montanha onde pudéssemos aplicar o que havíamos aprendido. Daí que surgiu a idéia de ir para o Osorno, por sugestão dos instrutores do curso.

A mancha preta no fundo no meio do glaciar é a Ilha de Pedra (o caminho segue pela esquerda dela)
A mancha preta no fundo no meio do glaciar é a Ilha de Pedra (o caminho segue pela esquerda dela)

Em Bariloche, alugamos um carro e fomos para Ensenada, uma vila de Puerto Varas, cidade no lado chileno da Cordilheira dos Andes, ponto mais próximo do vulcão. Planejamos chegar no primeiro dia até a base, dormir uma noite e no dia seguinte subir. Porém, o tempo não colaborou. Das seis horas de viagem de carro, as últimas quatro foram sob chuva forte. Chegamos tarde em Puerto Varas e optamos por adiar em um dia a viagem.

Dormimos na cidade e no dia seguinte, debaixo de chuva, fomos até a base do vulcão (a estrada é de asfalto e está em boas condições). Lá existe um posto do CONAF (onde é necessário se registrar) e pelo menos dois refúgios. Um deles, mais movimentado, está sempre cheio de turistas que sobem durante o dia para apreciar a vista do lago Llanquihue e andar de telesilla (espécie de teleférico comum em centros de ski, não sei a palavra em português). Nos dois refúgios é possível conseguir comida e lugar para dormir.

A chuva seguia forte, ventava muito e uma nevoa reduzia a visibilidade para uns vinte metros. Do refúgio, famoso mirador do Osorno e do lago, não dava para ver absolutamente nada e a previsão do tempo para o dia seguinte era a mesma. Não podíamos esperar mais que um dia, pois a Carmen precisava voltar para Bariloche para seguir de ônibus até Buenos Aires, de onde ela ia tomar um avião de volta para o Canadá. O vulcão não queria visitas, voltamos para Bariloche sem nem sequer ver-lo.


A volta

A sombra do vulcão no horizonte nas primeiras horas do dia
A sombra do vulcão no horizonte nas primeiras horas do dia

Depois de alguns dias em Bariloche, eu e o Xuxa, decidimos tentar uma segunda vez, dessa vez de ônibus. Fomos para Puerto Montt  e lá pegamos outro ônibus direto para Ensenada. Uma opção melhor é sair de Bariloche direto para Puerto Varas e de lá pegar um ônibus para Ensenada. Tanto de Puerto Montt como de Puerto Varas existe serviço regular para Ensenada, a vantagem é que de Puerto Varas, por ser mais próximo, a frequência é muito maior. Em Ensenada, contratamos uma pessoa (contato no fim desse post) para nos levar de carro até a base do CONAF no final da estrada que sobe a encosta do vulcão. Com um pouco de paciência é possível subir de carona, o fluxo de carros nessa estrada é grande, a maioria turistas.

Nessa segunda tentativa, podíamos ver o vulcão desde a estrada que leva para Puerto Montt, do outro lado do lago Llanquihue. Nada de nuvens e tempo perfeito. No CONAF fomos recebidos pelo guardaparque Iván, com quem já havíamos conversado há poucos dias atrás na primeira vez que estivemos na região. O Iván é uma pessoa atenciosa e disposta a ajudar. Preenchemos um formulário onde, além de colocar um resumo do nosso plano de subida, tivemos que marcar o equipamento que possuíamos. Dos itens solicitados pelo parque não tínhamos apenas um rádio VHF, mas não houve problema.

O lago Todos los Santos e o Cerro Tronador vistos do cume do Osorno
O lago Todos los Santos e o Cerro Tronador vistos do cume do Osorno

Além de ser possível, como já comentei acima, chegar de madrugada e subir o vulcão, quem optar por dormir uma noite tem algumas opções. Próximo ao CONAF existem dois refúgios, sendo que o refúgio Teski foi o que me pareceu mais aconchegante e tranquilo. Os serviços variam desde um local para dormir com seu próprio saco (9000 pesos no Teski) até quartos com café da manhã incluso. Quem preferir pode caminhar por cerca de duas horas e acampar num local chamado La Hoya. Essa não nos pareceu uma boa opção, primeiro porque implica em caminhar com o mochilão para encurtar apenas duas horas de uma subida que já é curta, além disso não existe água no local, é necessário derreter neve. Nós optamos por acampar ao lado da casa do CONAF. Apenas andinistas podem dormir nesse local e somente por uma noite. O maior incoveniente é que o parque solicita que a barraca seja desmontada antes de começar a ascensão.

Macaquices
Macaquices

No dia seguinte, acordamos cedo, tomamos café, guardamos as coisas e as 5h começamos a caminhada. Sabíamos mais ou menos a direção que deveríamos seguir, mas no escuro não encontramos a trilha exata. Em alguns momentos tivemos que subir pendentes maiores que o necessário até encontrar com o final da segunda telesilla. Talvez uma opção melhor seja começar a caminhar acompanhando as telesillas desde o seu começo que fica na direção leste do posto do CONAF. Até esse ponto demoramos uma hora e dez minutos. Então, contornamos um neveiro pela esquerda (pela direita havia uma trilha curta e bem marcada que leva até um mirador do vulcão) e seguimos por uma trilha também marcada que termina no início no glaciar, onde nos encordamos. Desde o nosso acampamento até o começo do glaciar seguimos predominantemente para nordeste. Do glaciar até o cume seguimos predominantemente para leste, isso implica em, no começo do glaciar, caminhar um pouco para a esquerda até encontrar com um filo e seguir por ele até o final. Para se localizar no glaciar, o mais importante é identificar a Ilha de Pedra, uma formação rochosa no meio do gelo que pode ser vista desde o CONAF, e se manter sempre a esquerda dela.

Descansando no cume
Descansando no cume

O glaciar estava tapado, vimos pouquíssimas gretas abertas e a neve estava bem consistente, o que facilitou nossa ascensão. Apenas a última parte da subida que é um pouco mais complicada, uma pendente de uns 50 graus. Cada um estava com um piolet de travessia e nessa parte final utilizamos a maior parte do tempo com a técnica do piolet apoio. Não é necessário levar piolets técnicos. Quando mais próximo do fim da subida, mais inclinado fica.  Nesse pedaço algumas pessoas optam por escalar com corda colocando algumas ancoragens na neve. Levamos cinco horas e dez minutos desde a saída do acampamento até o cume do vulcão.

Vulcão Puntiagudo
Vulcão Puntiagudo

O cansaço da subida é recompensado pela maravilhosa visão do topo do vulcão. Impressiona o lago Todos Los Santos, que fica do lado oposto ao Llanquihue, com o Tronador no fundo e num dos cantos o vulcão Puntiagudo. Também é possível ver o Villarica e o Lanín, muitas outras montanhas e, atras do Llanquihue, o oceano Pacífico. A cratera do vulcão é completamente coberta pelo glaciar. Depois de um tempo descansando e comendo no topo, saímos em busca de uma caverna de gelo na face norte do vulcão. Essa caverna é um buraco no glaciar na forma de um cilindro de uns três ou quatro metros de diâmetro e uns bons metros de profundidade. No fundo é possível observar a parte rochosa do vulcão. Infelizmente, só depois que descemos descobrimos que é possível rapelar para dentro da caverna e caminhar no vão entre a rocha e o glaciar até uma outra saída na face leste. Não tenho a menor idéia como uma entrada cilindrica dessas pode ter se formado, gostaria muito de saber.

Cova de gelo
Cova de gelo

Depois de duas horas, entre o tempo parado no topo e a caminhada até a caverna, começamos a descer pouco depois do meio dia. Optamos por um caminho à esquerda da linha por onde subimos, seguindo algumas pegadas, na esperança de que fosse um pouco menos inclinado. O começo de fato era, mas a ilusão durou pouco. Acabamos descendo por uma parte aparentemente mais inclinada do que a nossa subida. O trecho inicial, como tínhamos que caminhar devagar, cravando bem o crampon, foi tão cansativo quanto a subida. Talvez nesse pedaço montar um rapel, além de mais seguro, seja inclusive mais rápido.

Entrada da cova de gelo na face norte do vulcão
Entrada da cova de gelo na face norte do vulcão

Passado esse trecho inicial, o restante da descida, tanto o trecho final do glaciar quanto as morenas até o refúgio, é bem tranquilo. Levamos 2:30h para descer, totalizando 9:45h minutos desde o momento que saímos do acampamento.

No estacionamento do refúgio mais movimentado, o Iván nos ajudou a conseguir uma carona para voltar para Ensenada. Nunca foi tão fácil pegar uma carona. Ele parava todos os carros que estavam descendo e perguntava se podiam nos levar. O terceiro carro que passou topou. De Ensenada seguimos de ônibus para Puerto Montt e depois Santiago, de onde voltamos para São Paulo.

Na frente da entrada da cova de gelo com o vulcão Puntiagudo no fundo
Na frente da entrada da cova de gelo com o vulcão Puntiagudo no fundo


Informações úteis

Descida pelas morenas
Descida pelas morenas

Dados para o GPS
Português
Castellano
English

Transporte de Ensenada para o início da trilha do Osorno
Rudy Plagemann
rplagemann@gmail.com
Celular: (09) 6956667
Casa: (065) 212070
Cobrou 20.000 pesos chilenos para nos levar e disse que faria ida e volta por 30.000 pesos

Guardaparque do CONAF no Osorno
Iván Barría Castro
ivanvolcanosorno@gmail.com
Celular: (09) 4038044

Mapas livres da Argentina e Chile para GPS
(incluindo estrada de acesso ao começo da trilha do Osorno)
http://www.proyectomapear.com.ar/

Outros relatos sobre o Osorno
http://www.summitpost.org/mountain/rock/152059/volc-n-osorno.html
http://andeshandbook.cl/default.asp?main=cerro.asp?codigo=40

Dois vídeos e fotos do TikiFest em Barcelona

No começo de agosto estive em Barcelona para mais um encontro da comunidade do Tikiwiki, o TikiFest Barcelona (http://tikiwiki.org/TikiFestBarcelona). Enquanto eu trabalhava no meu projeto para o Google Summer of Code, o restante do pessoal estava lá para desenvolver um novo recurso para o Tikiwiki: workspaces.

O Luci publicou muitas fotos do encontro quase todas com legendas engraçadas nesse link aqui http://picasaweb.google.com/mindbro/TikiFestBarcelona2009

Além das fotos, foram feitos dois vídeos do encontro. O primeiro foi feito pela Vladislava, mulher do Luci, ela é Tcheca e trabalha para uma televisão chinesa independente (é uma televisão chinesa proibida na China). É um vídeo com um carater mais institucional, de divulgação do Tikiwiki, com entrevistas com alguns dos membros da comunidade (mais informações sobre a matéria http://english.ntdtv.com/ntdtv_en/ns_europe/2009-08-13/093675925612.html).

O segundo vídeo foi feito pelo Xavier, ele é de Barcelona e foi quem organizou toda a logística do encontro. O vídeo dele é mais longo e mostra um pouco mais da dinâmica do encontro.

A video used to be embedded here but the service that it was hosted on has shut down.

De bicicleta em Londres!

A viagem pela Europa começou em grande estilo. Vim para Londres para participar de um encontro da comunidade do Tikiwiki, o GSOC TikiFest, para discutir os projetos do Google Summer of Code (em breve vou escrever um post relatando como foi o encontro e a apresentação do meu projeto).

A maioria das pessoas que participou do encontro da comunidade do Tikiwiki em Londres
A maioria das pessoas que participou do encontro da comunidade do Tikiwiki em Londres

Antes de sair de São Paulo, graças a ajuda de um amigo da Bicicletada consegui um lugar para ficar durante meus dias em Londres, a casa da irmã dele. Quando desci no aeroporto pensava que para esses dias serem perfeitos só faltava eu arranjar uma bicicleta para me locomover pela cidade. O transporte público funciona muito bem, metro e ônibus para todos os lados. Mas também é muito caro, pelo menos da ótica de alguém que ganha em reais. Se não conseguisse a bicicleta, meu plano era caminhar os cinco quilometros que separam a casa onde fiquei do local do encontro.

A viagem de São Paulo para Londres correu bem. Meu lugar era na janela, estava louco para ver o oceano de dentro do avião, porém quando começamos a sobrevoar o mar já era noite (não sei porque estava com essa idéia na cabeça de que o avião sairia de São Paulo direto para o oceano, quando na verdade ele sobrevoa o continente até o extremo norte do nordeste brasileiro). Assisti a Era do Gelo e conversei bastante com um cara de Natal e uma senhora de Buenos Aires. Eles ocupavam dois assentos e meio e eu tinha que me virar com a metade de um assento que sobrava 🙂

Vooei com a British Airways, quando fiz o checkin online solicitei refeições vegetarianas e tudo funcionou bem. Tanto na janta, como no café da manhã, eu recebi uma refeição especial. Fiquei feliz por eles terem estrutura para atender esse tipo de demanda. Não sei como funciona com outras companhias. Será que todas são amigáveis com os vegetarianos?

Chegando em Londres minha grande preocupação era com a imigração, não me animava nenhum pouco a idéia de chegar lá e ser mandado de volta para o Brasil no próximo avião. Ao mesmo tempo me sentia o imigrante ilegal perfeito. Não tenho propriedades no Brasil, não sou casado, não estudo e só consigo comprovar mais ou menos um vínculo de trabalho (não tenho CLT). Tinha mais de uma dezena de documentos para mostrar. No fim fui atendido por uma mulher super simpática que perguntou a razão da minha visita, pediu para ver minha passagem de volta para o Brasil e a passagem para a Suécia e nada mais. Grande alívio!

A bicicleta que usei durante os meus dias em Londres
A bicicleta que usei durante os meus dias em Londres

Encontrei com a Ludmila numa estação de metro e fomos para a casa da irmã dela, onde eu fiquei hospedado. Ainda no caminho, no ônibus, ela me perguntou se eu tinha interesse em usar durante meus dias lá uma bicicleta de um amigo que estava encostada há algum tempo. Perfeito! No mesmo dia sai para pedalar pela cidade.

Passei cinco dias em Londres e em todos utilizei a bicicleta. No que diz respeito a locomoção de pessoas, São Paulo tem muito a aprender com Londres. Bicicleta lá é considerado um meio de transporte (ao contrário de São Paulo que ainda teima em ver a bicicleta como lazer). Tem um site legal para planejar rotas de bicicleta: http://www.tfl.gov.uk/roadusers/cycling/11598.aspx

Óbvio que nem tudo é perfeito, nos meus dias por lá cruzei com duas ghost bikes (uma delas é a da foto abaixo) e certamente existem outras. Porém é emocionante ver o respeito dos motoristas, principalmente dos motoristas de ônibus. Em todos os meus dias não levei uma fina, nenhuma busina. Os ônibus ou me esperavam até parar no ponto ou então me ultrapassavem mudando completamente para a faixa ao lado.

Bike ghost
Bike ghost

Ao contrário de São Paulo, que continua investindo na lógica do transporte individual como fica claro na recente iniciativa da Kassab e Serra de proibir a circulação de ônibus fretado no centro da cidade e de derrubar árvores para ampliar pistas na marginal, em Londres existe uma clara política pública em favor do transporte coletivo e alternativo. Automóveis particulares tem que pagar para circular no centro, existem ciclovias e bicicletários para todos os lados (e cada vez mais também ladrões de bicicleta), os pontos de ônibus tem informação sobre o itinerário e os horários das linhas que passam por ali.

Local para guardar as bicicletas em um prédio
Local para guardar as bicicletas em um prédio

Todas são coisas relativamente simples de fazer (nenhuma delas demanda uma intervenção tão drástica na estrutura urbana com demanda por exemplo a ampliação da marginal) e podem melhorar muito o fluxo de pessoas em São Paulo.

Ps: nos seis dias que passei em Londres ouvi buzina de carro apenas duas vezes (literalmente). Interessante. Não que Londres seja o paraíso, as duas vezes que ouvi buzina de carro foram em situações típicas de stress no trânsito. Na primeira um motorista de carro buzinou para pedestres: “saiam da frente se não eu passo por cima”. E na segunda um carro reclamou com o outro. Mas de qualquer forma é curioso pensar porque será que em São Paulo tem tanto barulho de buzina.

Lo más importante son los veinte

Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Argentina/Mendoza/Mendoza/blog-249321.html


Um dia antes de saírmos para o Cerro Plata, chegou no albergue onde estamos hospedados um casal voltando do cume do Aconcaguá. O cara tinha a ponta de todos os dedos com princípio de congelamento (pontas inchadas e cor roxo escuro) e a mulher não conseguia andar direito pois um dos pés também tinha congelado.

Obviamente essa imagem mexeu bastante comigo. Estávamos prestes a tentar uma coisa muito parecida (tudo bem que o Cerro Plata é muito mais fácil que o Aconcaguá, até por isso que escolhemos o primeiro e não o segundo) e tinha certeza de que não queria voltar como eles voltaram. Eles chegaram ao cume. Apesar do pouco tempo que conversamos fiquei com a impressão de que estavam felizes. O sacrificio valeu a pena por terem chegado ao lugar mais alto do mundo fora do Himalaia. Eu não penso assim e gosto muito dos meus dedos.

De Mendoza pegamos um transporte que nos deixou na estação Ski e Montaña, o transporte é organizado pelo próprio pessoal da estação. Chegamos de carro a 2900m de altitude, começamos a caminhar e cada passo implicava em estar o mais alto que já estivemos em toda nossa vida. As mochilas estavam bastante pesadas com comida para oito dias e mais equipamentos para frio, alguma coisa em torno de trinta ou trinta e cinco quilos. Apesar de ser aproximadamente o mesmo que levávamos no circuito grande do Torres del Paine a altitude fazia com que tudo fosse mais difícil e devagar.

Dormimos a primeira noite no acampamento Veguitas, cerca de uma hora de caminhada depois da estação de ski. No dia seguinte partimos para tentar o cume do San Bernardo uma montanha de 4200m para começar a aclimatação. Não tínhamos idéia do que esperar duma montanha nessa altitude e saímos com as mochilas de ataque cheia de casacos que não chegamos a usar.

O dia seguinte foi marcado por uma lenta e difícil caminhada até o acampamento Salto de água (4200m). Dessa vez deu para sentir de verdade a dificuldade de se caminhar em altura, cada passo precisa ser acompanhado de uma respiração mais profunda e ainda sim sempre fica a sensação de que não há ar suficiente. No acampamento há um domo da Ski e Montaña que oferece uma série de serviços para quem estiver afim de gastar uma grana a mais. É possível contratar mulas para subir e baixar cargas, comprar refeições ou mesmo mantimentos. Além do funcionário da empresa, haviam mais duas barracas. Uma de um uruguaio e outra de um brasileiro que estava aclimatando para tentar o Ojos del Salado (http://www.rosier.com.br).

O dia seguinte foi dedicado ao ócio para o corpo se acostumar a altura. Até esse momento estava feliz por não ter sentido nenhum sinal da altitude, nem dor de cabeça, nem enjôo, nem dificuldade para comer. Comecei a viver a ilusão de que iria chegar aos 6100m do Cerro Plata e voltar sem qualquer incômodo. Combinamos com o brasileiro de irmos no dia seguinte até o Portuzuelo Plata-Vallecitos (5100m) para aclimatar e também já conhecer parte do caminho que faríamos no dia que tentássemos o cume.

Partimos para o portozuelo por volta das nove horas da manhã junto com o brasileiro Rosier e mais dois mendocinos que estavam num acampamento um pouco abaixo, o Piedra Grande. Um deles ia tentar o cume do Vallecitos e o outro, também Rodrigo de apenas 16 anos, ia até o portozuelo, pois seu pai, montanhista pioneiro na região, não deixava ele chegar mais alto com essa idade. Os dois nativos não paravam de comentar como um tempo limpo e sem vento como o daquele dia era um milagre.

Pouco antes de chegarmos ao nosso objetivo a ilusão de voltar da expedição sem qualquer problema em função da altitude acabou. Minha cabeça começou a doer e o incômodo, alguma coisa do tipo “parem o mundo que eu quero descer”, só foi acabar algumas horas depois quando já havíamos voltado para as barracas.

A caminhada até o portozuelo foi extremamente cansativa em função da altitude, mas sem nenhuma dificuldade técnica. Fazia algum tempo que não nevava e por isso os trechos de gelo eram minúsculos. Na chegada fiquei abismado com a visão, que segundo algumas pessoas que estavam no Salto de Água é considerada mais bonita que a do próprio Aconcaguá. Do Portozuelo Plata-Vallecitos é possível ver a face sul do Aconcaguá e o Cordón de la Jaula, uma formação de rocha impressionante. São nesses momentos que encontro o sentido de fazer tudo isso, de investir tanto tempo nessa atividade, e ainda assim não consigo colocar em palavras. É uma sensação.

O restante desse dia e do dia seguinte foram novamente dedicados ao ócio. Nos momentos de descanso dedicamos bastante tempo para cozinhar. Apesar do peso extra que isso representa, gostamos de comer comidas gostosas. Nada como um arroz integral com lentilha e algum legume para renovar as energias.

Cada minuto do dia de descanso passou muito devagar, o dia seguinte era o tão esperado dia de tentar o cume do Cerro Plata. Já havíamos terminado de ler por completo a revista e o livro que havíamos levado (isso sem mencionar as embalagens de todos os alimentos que tínhamos). A ansiedade também era grande pois não tínhamos muita idéia do que nos esperava depois do portuzuelo. Não tínhamos botas plásticas e todo mundo falava que era necessário. Não tínhamos mintones e todo mundo falava que era bom ter. No final da tarde NEVE!!! Genial!!! Tudo branco!!!

Fomos dormir com a incerteza de sair para atacar o cume ou não em função da melhora do tempo durante a noite. As três e meia da madrugada acordei com o Xuxa me chamando, ou seja, ferozmente balançando minha barraca fazendo muito barulho (não acordo de outra forma). O tempo parecia bom e tudo estava pronto. Era tomar café da manhã e partir. Saímos do acampamento por volta das cinco junto com um outro grupo guiado que ia tentar o cume do Vallecitos e mais duas pessoas que, como nós estavam por conta própria. Na luz da lanterna de cabeça seguimos os totens e os passos dos dois que estavam a nossa frente. O início do caminho foi relativamente tranqüilo, não fazia muito frio, não ventava e estávamos nos sentindo bem.

Conforme ganhamos altitude e o nascer do dia foi se aproximando, o frio aumentou significativamente. Como era de se esperar os pés e as mãos eram os que mais sentiam. Paramos por duas vezes para colocar mais luvas ou casacos. Paramos mais uma vez para tomar chá que estava nas garrafas térmicas pois a água dos cantis congelou. Segundo um dos dois caras que caminhavam na frente com a gente fazia alguma coisa em torno de seis graus negativos. Quando já podíamos ver uma linha de claridade no horizonte começou a ventar e o frio aumentou. Tive a desagradável sensação de perder a sensibilidade da ponta de todos os dedos da mão, o meu pé estava bem. O Xuxa, por sua vez, sentia muito frio apenas nos pés. Inevitavelmente lembrei do casal que havia feito o cume do Aconcaguá. Não tinha a menor idéia de quão longe meus dedos estavam de ficar iguais aos dedos daquele cara. Medo.

No Portozuelo Plata-Lomas Amarillas (um pouco abaixo do Portozuelo Plata-Vallecitos), decidimos que o melhor era descer e desistir do cume. Poucos minutos depois, ainda próximo do lugar mais alto que havíamos chegado naquele dia, o Sol deu as caras e o frio diminuiu bastante. A chance de voltar a subir e tentar o cume era clara. Optamos por não segui-la. Era possível que desse tudo certo e fôssemos até o Cerro Plata, mas se o tempo ficasse feio no meio do dia era bem possível que tivéssemos problemas. Não estava afim de apostar que o tempo ia ficar bom e arriscar perder de novo a sensibilidade dos dedos.

Um pouco mais para baixo, já com o Sol alto e sem frio nenhum começamos a brincar com a neve que cobria todo o caminho que dois dias atrás era somente rocha. Muitas fotos e guerra com bolas de neve. Chegamos no acampamento depois de parar muitas vezes para tirar as camadas de casacos e ainda assim estávamos com calor.

Comecei a conversar com um mendocino que já havia feito o Plata numa outra temporada e estava lá agora para tentar o Vallecitos. Expliquei porque havíamos desistido do cume e ele me disse que em alta montanha “lo más importante son los veinte” (dedos). Desde então essa frase não sai mais da minha cabeça, acho que vou adotar como lema pessoal em relação ao montanhismo.

Desmontamos as barracas e descemos para a estação de ski no mesmo dia, de onde pegamos o transporte para Mendoza. Já no albergue encontramos com o casal do Aconcaguá, a menina estava bem melhor, já conseguia caminhar. O cara tinha bandagens com um pouco de sangue em nove dos dez dedos da mão. Ainda não tive (e acho que não vou ter) coragem de perguntar o que aconteceu e como ele está.

Se possível ano que vem (ou em outro momento) volto para Mendoza para tentar mais uma vez o Cerro Plata. Escolhemos esse cerro como primeira experiência em alta montanha pois nos disseram que seria uma boa escola, um bom lugar para começar. Certamente aprendi muito e já estou contando os dias para voltar e aprender mais (e me divertir). Nos próximos dias, se me animar, devo fazer um post com algumas informações mais detalhada que podem servir para quem quiser tentar alguma coisa parecida no Cerro Plata.

Digressão Nº2

Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Argentina/Mendoza/Mendoza/blog-246303.html

Xadrez
Xadrez

Fatos de relevância nacional:

  • é impressionante (e preocupante) o número de pessoas de outros países que conhecem as novelas brasileiras e as músicas da Xuxa.
  • conhecemos três israelenses em Pucón que sabian cantar “Ilari, lariê, O, o, o”.
  • umas chilenas de Punta Arenas (uma das cidades mais ao Sul do Chile), que amavam as novelas brasileiras, nos perguntaram se em nosso país todas as pessoas eram bonitas como as que aparecem na televisão.
  • MUITA gente viu “Cidade de Deus” e perguntam se todas as crianças de São Paulo e do Rio de Janeiro andam armadas na rua.
  • já decidi o que vou fazer da vida quando voltar ao Brasil: convencer um louco nacionalista do alto comando do exército brasileiro (“Ordem e progresso”) de que a Rede Globo denigre a imagem de nossa bela nação (tá, não precisei viajar para o exterior e viver os fatos listados acima para saber disso) para que ele coordene um ataque fulminante a nossa principal emissora


Xadrez
Xadrez

Fatos de relevância pessoal:

  • amanhã saímos de Mendoza e vamos para o Cerro Plata (6100m). Expectativa alta, nossa primeira experiência em alta montanha.
  • estamos num albergue gostoso, pessoas simpáticas, sem grandes agitos e, o mais importante, um tabuleiro de xadrez.
  • não sei porque as pessoas (eu) querem estar na montanha, só sei que é bom.
  • mães (e também pais) ficam bem preocupados quando os filhos vão para um lugar onde eles nunca estiveram e então não sabem muito bem o que esperar.

El Chaltén, ou sobre quando achei ter encontrado o paraíso

Mirador da Laguna Torre
Mirador da Laguna Torre

Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Argentina/Santa-Cruz/El-Chalten/blog-242855.html


Em poucas palavras: uma cidade com menos de mil habitantes, dois campings gratuitos, ao pé do Fitz Roy e Cerro Torre (duas paredes cobiçadas por escaladores do mundo inteiro) e perto de um dos maiores campos de gelo da Terra. Se não fosse o Xuxa lembrar que não temos dinheiro para viajar para sempre e que ainda queremos ir para Mendoza, acho que ficaria por lá até o fim da temporada.

No entorno da cidade existe uma diversidade enorme de trilhas a serem exploradas, desde caminhadas de apenas um dia à expedições de cerca de um mês. As duas trilhas mais percorridas (e também duas das mais fáceis) sejam a da Laguna Torre, mirador do Cerro Torre, e a da Laguna de Los Três, mirador do Fitz Roy. Ambos são caminhadas muito bem demarcadas de exigência fìsica baixa.

Fizemos as duas, a da Laguna de Los Três fizemos de madrugada, saímos do acampamento à 1h e chegamos no mirador às 5h. O percurso iluminado pela lua cheia foi fantástico e no topo pudemos presenciar por volta das 7h o nascer do Sol, quando por alguns minutos o Fitz Roy fica vermelho (fotos no post do Xuxa). De lá emendamos outra trilha e fomos para o Rio Elétrico subir o mirador do Glaciar Pollone, porém estávamos sem dinheiro e nos esquecemos que o mirador fica dentro de uma propriedade privada onde os donos cobram uma taxa pela entrada. Além disso, tínhamos que voltar para a estrada para pegar no começo da noite o ônibus que nos levou de volta para a El Chaltén.

Depois que o Rafa e Mayra foram embora, eu e o Xuxa nos preparamos junto com um casal de australianos para fazer a Volta do Cerro Huemul, uma trilha de quatro dias de onde é possível avistar o Campo de Hielo Continental Sur. Porém com cerca de quarenta minutos de caminhada no primeiro dia, o Xuxa começou a sentir dores muito fortes no estômago e tivemos que voltar. Estamos aguardando que os australianos nos enviem as fotos dessa caminhada.

Também nos interessou muito uma trilha que inclui um dia inteiro caminhando no gelo do Campo de Hielo Continental Sur desde o Paso Marconi até o Paso del Viento. Essa vai ficar para uma outra viagem, até porque exige equipamentos e conhecimentos de gelo que ainda não temos.

Cada um dos acampamentos gratuitos fica numa das extremidades da cidade. Dormimos a maioria das noites no Madsen que concentra o maior número de pessoas e consequentemente mais barulho. Depois da tentativa de fazer a Volta do Cerro Huemul passamos duas noites no Confluência que é muito menor, ocupado principalmente por quem viaja de trailer ou motor-home e que tem muito mais sombra. Além disso, desse acampamento é possível ver o Cerro Torre e o Fitz Roy. A escolha fica a gosto do freguês.

Com o passar do tempo descobri que Chaltén não é o lugar perfeito, apesar de muito bom. Na cidade não existe caixa eletrônico, quanto menos banco, e nosso dinheiro começou a acabar (alguns lugares aceitam cartão de crédito, mas de qualquer forma é bom ir prevenido com quase toda a grana que pretende gastar em mão); praticamente tudo é mais caro, além da oferta ser menor, do que nas cidades maiores da Argentina (é uma boa levar um bom estoque de comida, El Calafate é a cidade mais próxima com uma boa oferta de produtos); devido ao excesso de calor na época que estivemos por lá, uma alga se proliferou na água fazendo com que muitas pessoas ficassem mal do estômago (tínhamos hidrosteril mas não usamos por vacilo) incluindo a Mayra, Rafa e Xuxa (provavelmente foi por causa dessa alga que ele se sentiu mal no começo da trilha do Huemul). A junção desses fatores fez com que partíssemos do que para mim é um quase paraíso perdido.

Digressão

Slack line em El Chaltén
Slack line em El Chaltén

Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Argentina/Santa-Cruz/El-Chalten/blog-241511.html


Apenas para aqueles que participam (ou participavam, já que há dois dias atrás Mayra e Rafa iniciaram a volta para São Paulo) da viagem: estou no acampamento logo após jantar, um chilique Rafael toma conta de mim e começo a buscar anciosamente um papel e uma caneta para escrever o que segue. Quando manifesto essa vontade para o Xuxa, este também é acometido por um chilique Rafael pois tem que me emprestar papel e caneta. Felizmente o primeiro chilique venceu e este post ganhou vida.

Da última vez que escrevi neste blog fiz um relato da nossa experiência no Circuito Grande – Torres del Paine e manifestei minha expectativa de que o relato pudesse ser útil para alguém que quisesse fazer o mesmo. Uma das coisas que mais gosto na internet é a possibilidade dos consumidores de informação se tornarem potenciais produtores. Acho que em grande parte é por isso que trabalho com desenvolvimento de software livre, wiki e afins.

Nessa cadeia sempre me senti mais um produtor de matéria-prima (desenvolvimento das ferramentas que possibilitem que as pessoas produzam por conta própria) do que um produtor de informação pronta para consumo. De alguma forma o post anterior foi minha primeira aventura neste segundo mundo. Hoje ao abrir o e-mail fiquei muito feliz ao ler uma mensagem de um brasileiro chamado Edson que vai fazer o circuito em fevereiro e leu o relato que escrevi.

O ciclo se fechou e a informação produzida atingiu algum lugar, afinal sem isso ela não faz sentido. Senti algo parecido com o que senti quando pessoas interagiram com as minhas primeiras edições na Wikipédia ou quando notei a quantidade de pessoas que já viram o vídeo sobre a viagem de bicicleta. O grande barato da internet é ser apenas mais um meio (muito eficaz para algumas coisas e pouco para outras) de conectar as pessoas.

Se alguém se interessar pelo assunto sugiro o livro The Wealth of Networks escrito por Yochlay Benkler que li para a matéria Informação, Comunicação e a Sociedade do Conhecimento. Mudando o assunto para conhecimento livre, este livro esta disponível na íntegra pela internet de forma gratuita e mesmo assim é um sucesso de vendas, sendo por mais de um ano um dos títulos mais vendidos na Amazon.com. Como trabalho final para matéria que comentei acima escrevi um pouco sobre a sociedade interconectada da informação (um dos conceitos centrais do livro do Benkler) e educação.

Enfim, escrevi essa digreção pois me animei em ver uma resposta tão rápida ao post e para dizer que, motivado por isso, na sequência vou postar sobre nossa experiência em El Chaltén no mesmo esquema que escrevi sobre o Torres del Paine.

Circuito Grande – Torres del Paine

Hostelaria Las Torres
No primeiro dia da caminhada, no local que o ônibus deixa para começar a caminhada.


Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Chile/Magallanes/Torres-del-Paine/blog-237739.html

Neste post pretendo colocar algumas informações sobre a caminhada que fizemos no Parque Nacional Torres del Paine. Espero que possa ser útil. Se alguém algum dia ler isso e utilizar como fonte de informação para planejar sua viagem me avisa por favor (rodrigosprimo em gmail.com) que ficarei feliz 🙂

Comentei por cima os equipamentos mais relevantes que utilizamos e também qual foi o trajeto escolhido. Muitas das opiniões refletem minha experiência de apenas nove dias no parque, aconselho buscar outras fontes de informação. A lista de equipos também não serve como checklist, falta um monte de coisas e tem um monte de checklists bons espalhados pela internet.

Caminhando na neve no Vale do Silêncio
Caminhando na neve no Vale do Silêncio

O Torres del Paine, localizado na Patagônia Chilena, é um dos principais e mais bonitos parques da América do Sul (e também o mais organizado e com a maior estrutura que já estive). Para minha infelicidade as trilhas são muito bem marcadas (as vezes até demais) o que tornou totalmente inútil o uso da carta topográfica e da bussóla, porém certamente essa é uma preocupação a menos para quem estiver fazendo suas primeiras trilhas. Uma pessoa tem que fazer uma esforço muito grande para se perder no W ou no Circuito (ou então dar o azar de pegar condições climáticas muito ruins, o que não é comum mas acontece). Para maiores informações sobre o parque veja http://es.wikipedia.org/wiki/Torres_del_Paine ou http://www.torresdelpaine.cl/

Optamos por fazer o “Circuito Grande” uma caminhada de 8 a 10 dias contornando as principais atrações da região. Desde o planejamento no Brasil esse era um dos momentos mais esperados da viagem. Nunca caminhamos antes com um mochilão com comida para tantos dias e também não sabíamos o que esperar do clima da região.

No final tudo deu certo, foram oito noites e nove dias de caminhada. A seguir descrevo os equipamentos utilizados e também o roteiro percorrido. Para o nosso planejamento utilizamos principalmente as informações deste site aqui http://www.i-needtoknow.com/paine/

Equipamentos:

No topo do Paso John Gardner com o Glaciar Grey ao fundo (muito vento!)
No topo do Paso John Gardner com o Glaciar Grey ao fundo (muito vento!)

Barraca: em alguns acampamentos do parque venta muito (como também em grande parte das trilhas), uma barraca com bons estabilizadores de vento e armação de duralumínio é uma boa idéia. No acampamento Pehoé vimos uma barraca com duas armações de plástico quebrarem por causa do vento. Utilizamos uma Discovery Mountain da Manaslu (a mesma que pretendemos usar no El Plata) e uma Zimba II da Kailash.

Sacos de dormir: em nenhuma noite fez menos do que 0ºC (provavelmente nem chegou a isso, mas não tínhamos termômetros para ter certeza), dormimos tranquilamente todas as noites em sacos de dormir de conforto 0ºC e extremo -15ºC da Trilhas e Rumos.

Isolante térmico: não saia de casa sem ele! Nas últimas noites do circuito sempre emprestávamos alguns casacos para duas chilenas que descobrimos estavam desde o começo da caminhada sem isolante.

Xuxa e eu com o Glaciar Grey no fundo
Xuxa e eu com o Glaciar Grey no fundo

Fogareiro: estávamos com dois fogareiros de benzina, um MSR Internationale e um Coleman Dual Fuel 533 (que por sinal parou de funcionar no meio da viagem com menos de um ano de uso). Muita gente estava com fogareiros comuns de cartucho de gás, muito mais baratos e davam conta do recado.

Mochilas: como optamos por carregar toda a comida para o circuito (o que não é necessário, nos acampamentos pagos é possível comprar comida para fazer ou então refeições prontas por um preço não muito mais caro que na cidade) utilizamos mochilas grandes (e ainda assim quase não deu para levar tudo): Harpia 75 + 15 da Conquista, Aircontact Pro 70 + 15 da Deuter, Highlander 50 + 10 da Curtlo e Challenger 85 da Kailash (que vive dando problema no ajusta da barrigueira). Dependendo do roteiro pode ser uma boa idéia trazer uma mochila de ataque. Também é indispensável ter uma capa de chuva para a mochila que consiga cobrir ela com toda a carga e esteja bem presa, cansamos de ver capas de chuva de mochila voando com o vento ou então deixando parte da mochila descoberta.

Pernilongos no Dickson
Pernilongos no Dickson

Botas: estávamos todos com botas impermeáveis (duas Trilogia e uma Zodiac, ambas da Snake, e uma da Quechua que não lembro o nome). Foi a primeira vez que fiz uma trilha grande com uma bota impermeável e gostei muito da sensação de não sair com os pés molhados das muitas travessias de rios e de alguns poucos pântanos. O único momento que foi realmente importante ter esse tipo de bota foi nos pequenos trechos de camihada no gelo no Vale do Silêncio, que não faz parte do roteiro tradicional do circuito. Havia muita gente fazendo a travessia com botas ou tênis comuns sem maiores problemas.

Bastões de caminhada: outro que entra para a lista dos equipamentos úteis mas não fundamentais. Venta muito em vários lugares do parque (ao ponto de as vezes as pessoas cairem) e nessas situações ter um par de bastões ajuda bastante, além de aliviar o impacto nos joelhos por todo o caminho.

Roupas:

Mirante no Vale Francês
Mirante no Vale Francês

Impermeáveis: durante as caminhadas é frequente em poucos minutos um Sol forte dar lugar para uma chuva as vezes fina, as vezes forte. Utilizamos a calça impermeável da Conquista e os Anoraks da Trilhas e Rumos e da Conquista, além das polaínas da Conquista. Os materiais impermeáveis feitos no Brasil não são muito respiráveis, no final do dia sempre estavam bem molhados por dentro, mas funcionam muito bem. Nunca usei algo como Goretex para ter uma idéia se faz muita diferença, tudo que sei é que são MUITO mais caros.

Segunda pele: bom para dormir e também para caminhar nos dias mais frios. Utilizamos as fabricadas pela Solo.

Fleece: um fleece 100 para caminhar e outro 200 para as noites no acampamento foram suficientes.

No último dia de caminhada
No último dia de caminhada

Outros: um gorro e pelo menos dois pares de luvas (um par resisente a água ou impermeável) são fundamentais para enfrentar o frio. Meias de coolmax são boas para caminhar e pelo menos uma meia quente para a noite. Sem falar também de camisetas de dryfit (acabei utilizando mais as de manga comprida para me proteger do Sol) e de calças-bermudas de algum tecido que seque rápido (não sei o nome).

Roteiro:

Optamos por fazer o circuito no sentido anti-horário (a opção mais comum) por pegar o lado mais fácil para subir ao Paso John Gardner, iniciamos pela primeira perna do W.

1º dia: De Puerto Natales até o Parque Nacional Torres del Paine são 3 horas de viagem, a passagem custa US$20 ida e volta. Chegamos na portaria Laguna Amarga por volta das 11h e pagamos mais US$2 por um ônibus até a Hostelaria Las Torres. De lá iniciamos a caminhada para o acampamento Torres, um dos campings gratuitos mantidos pelos guarda-parques com banheiro e lugar para cozinhar (sem chuveiro). Monamos as barracas e atacamos o mirador das Torres del Paine.

2º dia: Decidimos ficar mais uma noite no mesmo acampamento para atacar o Vale do Silêncio, fora do caminho tradicional, foi nesse lugar que caminhamos pela primeira vez no gelo e vimos as Torres pelo outro. Com certeza recomendo essa adaptação no roteiro tradicional.

3º dia: Caminhada de cerca de 6 horas até o acampamento Serón. Acampamento pago (US$7, o preço é o mesmo em todos os lugares de camping pagos) com direito ao primeiro banho da viagem.

Um surto de saudades do Kempo
Um surto de saudades do Kempo

4º dia: Caminhada tranquila, em grande parte ao lado de um rio e sem muitas subidas, de cerca de 6 horas até o acampamento pago Dickson. Ao chegar fomos recebidos pela maior população de pernilongos por ser humano que já vi na vida (ver a foto para ter uma idéia). Repelentes eram praticamente inúteis, o esquema foi fazer uma barreira física com roupas (em especial as impermeáveis). Havia um casal com telas semelhantes as que usam os apicultores, eles eram os únicos que conseguiam ficar tranquilos fora da barraca. Para compensar esse é um dos lugares de campings mais bonitos, ao lado de um grande rio e com vista para um glaciar.

5º dia: Este foi o dia mais curto da viagem, apenas 4 horas de caminhada até o acampamento pago Los Perros. Para quem tiver pressa pode ser uma boa idéia fazer num único dia do Serón até o Los Perros.

6º dia: Esse é considerado o dia mais difícil da travessia por causa da longa subida e depois longa e incrime descida do Paso John Gardner. São cerca de
Um surto de saudades do Kempo
Um surto de saudades do Kempo
3 horas montanha acima para avistar pela primeira vez o maravilhoso Glaciar Grey. No final do dia chegamos ao acampamento gratuito Paso.

7º dia: Uma caminhada bonita ao lado do Glaciar Grey sem grandes dificuldades até o acampamento pago Pehoé.

8º dia: Nesse dia fizemos uma caminhada curta de 2 horas até o acampamento gratuito Italiano, armamos as barracas e atacamos a trilha pelo Vale Francês. No final há um mirador de onde pode ser ver um cinturão de quase 360º de montanhas das mais diferentes formas, tamanhos e cores.

9º dia: 6 horas de caminhada até a Hostelaria Las Torres de onde pegamos um ônibus para Laguna Amarga e de lá de volta para Puerto Natales.

Buenos Aires

Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Argentina/Buenos-Aires/Buenos-Aires/blog-232235.html

É uma sensação única acordar um dia num país e no final da tarde estar em outro. Ainda no avião chamou a atenção ver como Buenos Aires é uma cidade plana, construída ao lado do Rio da Plata, praticamente não tem subida alguma.

Amanhã vamos para Puerto Madryn, na costa leste da Argentina, onde pretendemos dormir apenas uma noite para descansar das 18 horas de ônibus e seguir para o sul da Patagônia. Minha sensação é de que a viagem tão esperada ainda não começou. Nada contra Buenos Aires, está sendo divertido, mas não tem o frio, a neve e as montanhas. É apenas mais uma cidade grande com algumas coisas divertidas e muito movimento. Em pleno verão temos cerca de oito horas de noite e as dezeseis horas restantes são de um calor insuportável!

Nos dois dias anteriores caminhamos bastante pela cidade, algumas vezes sem rumo outras procurando alguns dos destinos turísticos. Na região que estamos existem muitas praças e parques. No Flickr do Xuxa tem algumas fotos dele e da Mayra em Puerto Iguazu e da gente em Buenos Aires.

Continuo na expectativa do início da viagem, ou seja, de encontrar as tão esperadas montanhas andinas.