Kit gambiarra para viagens de bicicleta

Estou acompanhando apenas virtualmente a prepação do pessoal do CicloVeg. Eles vão pedalar até a Bolívia para participar do 2º Encontro de Libertação Animal. Numa cicloviagem não pode faltar no alforge ferramentas para manutenção da bicicleta e nesse momento eles estão discutindo exatamente o que levar.

Nas viagens que fiz além destas costumo carregar também o que chamo de “kit gambiarra”. Alguns itens que considero fundamentais para ajudar a resolver o imprevisto.

Segue abaixo uma lista que elaborei trocando uns e-mails com o Rafael, parceiro de cicloviagens e que até onde lembro é o “criador” do kit gambiarra. Foi tudo meio rápido como o pessoal do CicloVeg parte em mais ou menos duas semanas. Pode ser que esteja faltando algo que costumo levar. Sugestões são bem-vindas.

  • Abraçadeiras tamanhos diversos (preferência às menores)
  • Alicate meia cana
  • Arames espessuras diversas (preferência aos mais grossos)
  • Canivete
  • Pedaços de garrafa pet ou embalagens de power bar
  • Parafusos e porcas diversos (que sejam usados na bicicleta)
  • Pedaços de câmara de bike
  • Silver tape

O porque de cada item

Abraçadeiras: para conseguir prender de volta alguma coisa que possa soltar da bicicleta ou outras improvisações.

Alicate meia cana: para cortar o arame, puxar ou apertar alguma coisa na bicicleta. Se peso for uma preocupação talvez esse item possa ser cortado. Canivetes maiores tem um alicate pequeno e dá para cortar arame com um pouco de paciência na mão.

Arames: dá para improvisar muita coisa com um pouco de arame. Veja abaixo um relato de quando o meu bagageiro arrebentou e “reconstruí” ele com arame.

Canivete: é um item fundamental, não só para um kit gambiarra.

Pedaços de garrafa pet ou embalagens de power bar: já ouvi mais de um relato de que se um pneu estoura dá para “remendar” ele com embalagens de power bar (ou qualquer outro tipo de embalagem parecida) ou então garrafas pet ou então qualquer outra coisa parecida. Nunca estourei um pneu então nunca testei isso. Mas costumo levar garrafas pet com água (além das caramanholas) que poderia cortar caso precise remendar um pneu.

Parafusos e porcas diversos: já aconteceu comigo de perder a porca que prende o bagageiro no quadro enquanto pedalava. Provavelmente depois de um tempo na estrada a porca foi se soltando e eu não percebi (é uma boa prática de tempos em tempos revisar os parafusos e porcas da bicicleta pois alguns vão se soltando durante a viagem). É óbvio que não adianta levar tamanhos que não tenham utilidade na bicicleta. Na medida do possível é legal padronizar as bicicletas para ter que carregar o menor número possível de peças reserva e ferramentas.

Pedaços de câmara: também pode ser usado para prender coisas, fazer remendos etc.

Silver tape: mais ou menos a mesma coisa que o canivete. Talvez dê até para usar umas camadas de silver tape para cobrir um furo no pneu.

Um exemplo

No meio da viagem que fiz entre a Chapada dos Veadeiros e a Chapada Diamantina, entre Chapada Gaúcha e Januária, já no fim de um dia longo de pedal, cansado, senti por um segundo a bicicleta extremamente leve e no segundo seguinte travada no chão. A parte do bagageiro que prende no quadro próximo ao canote arrebentou, o bagageiro girou e caiu com alforge e tudo no chão (o bagageiro que estava usando definitivamente não é o mais recomendado para cicloturismo).

Bagageiro no chão com os alforges
Bagageiro no chão com os alforges
Bagageiro no chão sem os alforges
Bagageiro no chão sem os alforges

Já era fim do dia, optamos por acampar na beira da estrada mesmo e deixar para pensar no problema depois. Na manhã seguinte, com arame conseguimos prender de novo o bagageiro no quadro da bicicleta, o suficiente para seguir uns 20km até a vila mais próxima onde ele foi soldado. Na cidade seguinte troquei o bagageiro por um mais robusto.

O resultado da gambiarra
O resultado da gambiarra
Soldando o bagageiro
Soldando o bagageiro

3 comentários sobre “Kit gambiarra para viagens de bicicleta”

  1. Esse bagageiro de aço é o melhor para cicloturismo, porém ao compra- lo, deve-se leva-lo imediatamente à um serralheiro para reforçar as soldas. Depois disso ele não quebra nunca mais.

  2. Um item fundamental para gambiarras é sem dúvida a fita de alta fusão e a fita isolante. Já prendemos um selim de bicicleta, cujo parafuso havia estourado, numa cicloviagem, com essa fita e abraçadeiras do tipo “enforca gato”.

  3. Olá a todos!
    Fiz exatamente o que o amigo de cima comentou. Soldei uns reforços, fiz mais um ponto de fixação (nos apoios do quadro para os V-brakes, já que uso discos, tirando os pinos ôcos e colocando parafusos para fixação).
    Também sobre a fita Silver Tape em 2001, vindo de SP para Floripa remendamos um pneu em Balneário Camboriú que estourou. Abriu um rasgo considerável e a fita, em umas 5 camadas, aguentou uns kms até chegarmos na cidade para substituir o pneu.
    Já usamos blocagem quando um spander quebrou (rss), bem antigamente… kkk.
    Agora, a coisa mais inventiva que já vi no desespero foi esta: na época das catracas, numa altura do desgaste elas giravam a tampa e abriam andando. O cidadão perdeu metade das esferinhas… O que fazer? Simples… fazer um monte de calços de plástico ou borracha, menores que as esferas um pouco, com alguma parte da bike e um canivete e intercalar as esferas que ficaram grudadas na graxa e não se perderam, fazendo uma sequência tipo esfera, pedacinho da sapata de freios, mais uma ou duas esferas e um pedacinho do calço. Se achar uma capinha de fio menos que a esfera, fica show… Depois, só traçar a menor rota para a bicicletaria mais próxima e ir na banguela quando possível… rss.
    Andar de bike é uma coisa maravilhosa ou não é?

    Abraços a todos!

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