Circuito Grande – Torres del Paine

Hostelaria Las Torres
No primeiro dia da caminhada, no local que o ônibus deixa para começar a caminhada.


Originalmente publicado em http://www.travelblog.org/South-America/Chile/Magallanes/Torres-del-Paine/blog-237739.html

Neste post pretendo colocar algumas informações sobre a caminhada que fizemos no Parque Nacional Torres del Paine. Espero que possa ser útil. Se alguém algum dia ler isso e utilizar como fonte de informação para planejar sua viagem me avisa por favor (rodrigosprimo em gmail.com) que ficarei feliz 🙂

Comentei por cima os equipamentos mais relevantes que utilizamos e também qual foi o trajeto escolhido. Muitas das opiniões refletem minha experiência de apenas nove dias no parque, aconselho buscar outras fontes de informação. A lista de equipos também não serve como checklist, falta um monte de coisas e tem um monte de checklists bons espalhados pela internet.

Caminhando na neve no Vale do Silêncio
Caminhando na neve no Vale do Silêncio

O Torres del Paine, localizado na Patagônia Chilena, é um dos principais e mais bonitos parques da América do Sul (e também o mais organizado e com a maior estrutura que já estive). Para minha infelicidade as trilhas são muito bem marcadas (as vezes até demais) o que tornou totalmente inútil o uso da carta topográfica e da bussóla, porém certamente essa é uma preocupação a menos para quem estiver fazendo suas primeiras trilhas. Uma pessoa tem que fazer uma esforço muito grande para se perder no W ou no Circuito (ou então dar o azar de pegar condições climáticas muito ruins, o que não é comum mas acontece). Para maiores informações sobre o parque veja http://es.wikipedia.org/wiki/Torres_del_Paine ou http://www.torresdelpaine.cl/

Optamos por fazer o “Circuito Grande” uma caminhada de 8 a 10 dias contornando as principais atrações da região. Desde o planejamento no Brasil esse era um dos momentos mais esperados da viagem. Nunca caminhamos antes com um mochilão com comida para tantos dias e também não sabíamos o que esperar do clima da região.

No final tudo deu certo, foram oito noites e nove dias de caminhada. A seguir descrevo os equipamentos utilizados e também o roteiro percorrido. Para o nosso planejamento utilizamos principalmente as informações deste site aqui http://www.i-needtoknow.com/paine/

Equipamentos:

No topo do Paso John Gardner com o Glaciar Grey ao fundo (muito vento!)
No topo do Paso John Gardner com o Glaciar Grey ao fundo (muito vento!)

Barraca: em alguns acampamentos do parque venta muito (como também em grande parte das trilhas), uma barraca com bons estabilizadores de vento e armação de duralumínio é uma boa idéia. No acampamento Pehoé vimos uma barraca com duas armações de plástico quebrarem por causa do vento. Utilizamos uma Discovery Mountain da Manaslu (a mesma que pretendemos usar no El Plata) e uma Zimba II da Kailash.

Sacos de dormir: em nenhuma noite fez menos do que 0ºC (provavelmente nem chegou a isso, mas não tínhamos termômetros para ter certeza), dormimos tranquilamente todas as noites em sacos de dormir de conforto 0ºC e extremo -15ºC da Trilhas e Rumos.

Isolante térmico: não saia de casa sem ele! Nas últimas noites do circuito sempre emprestávamos alguns casacos para duas chilenas que descobrimos estavam desde o começo da caminhada sem isolante.

Xuxa e eu com o Glaciar Grey no fundo
Xuxa e eu com o Glaciar Grey no fundo

Fogareiro: estávamos com dois fogareiros de benzina, um MSR Internationale e um Coleman Dual Fuel 533 (que por sinal parou de funcionar no meio da viagem com menos de um ano de uso). Muita gente estava com fogareiros comuns de cartucho de gás, muito mais baratos e davam conta do recado.

Mochilas: como optamos por carregar toda a comida para o circuito (o que não é necessário, nos acampamentos pagos é possível comprar comida para fazer ou então refeições prontas por um preço não muito mais caro que na cidade) utilizamos mochilas grandes (e ainda assim quase não deu para levar tudo): Harpia 75 + 15 da Conquista, Aircontact Pro 70 + 15 da Deuter, Highlander 50 + 10 da Curtlo e Challenger 85 da Kailash (que vive dando problema no ajusta da barrigueira). Dependendo do roteiro pode ser uma boa idéia trazer uma mochila de ataque. Também é indispensável ter uma capa de chuva para a mochila que consiga cobrir ela com toda a carga e esteja bem presa, cansamos de ver capas de chuva de mochila voando com o vento ou então deixando parte da mochila descoberta.

Pernilongos no Dickson
Pernilongos no Dickson

Botas: estávamos todos com botas impermeáveis (duas Trilogia e uma Zodiac, ambas da Snake, e uma da Quechua que não lembro o nome). Foi a primeira vez que fiz uma trilha grande com uma bota impermeável e gostei muito da sensação de não sair com os pés molhados das muitas travessias de rios e de alguns poucos pântanos. O único momento que foi realmente importante ter esse tipo de bota foi nos pequenos trechos de camihada no gelo no Vale do Silêncio, que não faz parte do roteiro tradicional do circuito. Havia muita gente fazendo a travessia com botas ou tênis comuns sem maiores problemas.

Bastões de caminhada: outro que entra para a lista dos equipamentos úteis mas não fundamentais. Venta muito em vários lugares do parque (ao ponto de as vezes as pessoas cairem) e nessas situações ter um par de bastões ajuda bastante, além de aliviar o impacto nos joelhos por todo o caminho.

Roupas:

Mirante no Vale Francês
Mirante no Vale Francês

Impermeáveis: durante as caminhadas é frequente em poucos minutos um Sol forte dar lugar para uma chuva as vezes fina, as vezes forte. Utilizamos a calça impermeável da Conquista e os Anoraks da Trilhas e Rumos e da Conquista, além das polaínas da Conquista. Os materiais impermeáveis feitos no Brasil não são muito respiráveis, no final do dia sempre estavam bem molhados por dentro, mas funcionam muito bem. Nunca usei algo como Goretex para ter uma idéia se faz muita diferença, tudo que sei é que são MUITO mais caros.

Segunda pele: bom para dormir e também para caminhar nos dias mais frios. Utilizamos as fabricadas pela Solo.

Fleece: um fleece 100 para caminhar e outro 200 para as noites no acampamento foram suficientes.

No último dia de caminhada
No último dia de caminhada

Outros: um gorro e pelo menos dois pares de luvas (um par resisente a água ou impermeável) são fundamentais para enfrentar o frio. Meias de coolmax são boas para caminhar e pelo menos uma meia quente para a noite. Sem falar também de camisetas de dryfit (acabei utilizando mais as de manga comprida para me proteger do Sol) e de calças-bermudas de algum tecido que seque rápido (não sei o nome).

Roteiro:

Optamos por fazer o circuito no sentido anti-horário (a opção mais comum) por pegar o lado mais fácil para subir ao Paso John Gardner, iniciamos pela primeira perna do W.

1º dia: De Puerto Natales até o Parque Nacional Torres del Paine são 3 horas de viagem, a passagem custa US$20 ida e volta. Chegamos na portaria Laguna Amarga por volta das 11h e pagamos mais US$2 por um ônibus até a Hostelaria Las Torres. De lá iniciamos a caminhada para o acampamento Torres, um dos campings gratuitos mantidos pelos guarda-parques com banheiro e lugar para cozinhar (sem chuveiro). Monamos as barracas e atacamos o mirador das Torres del Paine.

2º dia: Decidimos ficar mais uma noite no mesmo acampamento para atacar o Vale do Silêncio, fora do caminho tradicional, foi nesse lugar que caminhamos pela primeira vez no gelo e vimos as Torres pelo outro. Com certeza recomendo essa adaptação no roteiro tradicional.

3º dia: Caminhada de cerca de 6 horas até o acampamento Serón. Acampamento pago (US$7, o preço é o mesmo em todos os lugares de camping pagos) com direito ao primeiro banho da viagem.

Um surto de saudades do Kempo
Um surto de saudades do Kempo

4º dia: Caminhada tranquila, em grande parte ao lado de um rio e sem muitas subidas, de cerca de 6 horas até o acampamento pago Dickson. Ao chegar fomos recebidos pela maior população de pernilongos por ser humano que já vi na vida (ver a foto para ter uma idéia). Repelentes eram praticamente inúteis, o esquema foi fazer uma barreira física com roupas (em especial as impermeáveis). Havia um casal com telas semelhantes as que usam os apicultores, eles eram os únicos que conseguiam ficar tranquilos fora da barraca. Para compensar esse é um dos lugares de campings mais bonitos, ao lado de um grande rio e com vista para um glaciar.

5º dia: Este foi o dia mais curto da viagem, apenas 4 horas de caminhada até o acampamento pago Los Perros. Para quem tiver pressa pode ser uma boa idéia fazer num único dia do Serón até o Los Perros.

6º dia: Esse é considerado o dia mais difícil da travessia por causa da longa subida e depois longa e incrime descida do Paso John Gardner. São cerca de
Um surto de saudades do Kempo
Um surto de saudades do Kempo
3 horas montanha acima para avistar pela primeira vez o maravilhoso Glaciar Grey. No final do dia chegamos ao acampamento gratuito Paso.

7º dia: Uma caminhada bonita ao lado do Glaciar Grey sem grandes dificuldades até o acampamento pago Pehoé.

8º dia: Nesse dia fizemos uma caminhada curta de 2 horas até o acampamento gratuito Italiano, armamos as barracas e atacamos a trilha pelo Vale Francês. No final há um mirador de onde pode ser ver um cinturão de quase 360º de montanhas das mais diferentes formas, tamanhos e cores.

9º dia: 6 horas de caminhada até a Hostelaria Las Torres de onde pegamos um ônibus para Laguna Amarga e de lá de volta para Puerto Natales.

14 comentários sobre “Circuito Grande – Torres del Paine”

  1. olá,
    encontrei seu blog fucando na net em busca de informacoes para uma viagem que farei a região de el calafate.
    vc poderia me dar uma pequena ajuda em relação a alguns detalhes do local?

    -o clima no local chega a ser muito frio? é necessário usar aqulelas botas de plastico e casacos com tecidos especiais ou botas e casacos que encontramos no brasil, como os da trilha e rumos já são suficientes?
    -em relação as trilhas como a do W vc acha que da para fazer sozinho? vi algumas empresas anunciando esses trajetos como difíceis e que devem ser feitos com guias. isso realmente procede?

    agradeco se vc puder me ajudar, pois é dificil encontrar informação imparcial.
    obrigado

  2. @otavio
    Olá Otavio, o Torres del Paine é um parte grande e bem movimentado. Se você for no verão vai encontrar gente sempre, principalmente no W. O circuito grande é um pouco menos movimentado mas ainda sim você encontra pessoas todos os dias. As trilhas estão minimamente sinalizadas. Lembro que levei comigo a carta topográfica do parque e uma bussóla mas não cheguei a utilizá-los.

    Se você for fazer apenas caminhadas não terá problemas com os equipamentos que encontra no Brasil. Botas duplas só se estiver pensando em caminhar pelo Campo de Hielo Sur ou alguma outra coisa do tipo uma caminhada de vários dias por glaciares, escalar o Cerro Torre. É importante você ter uma camada impermeável (bota, calça e anorak). Eu fui com uma bota Trilogia e gostei bastante. A calça e o anorak (da Conquista e Trilhas e Rumos, respectivamente) seguraram o tranco. O problema deles é que não respiram direito, em pouco tempo de caminhada eu começo a fever dentro deles de calor, mas paciência. Equipamentos de goretex no Brasil são muito caros e não são necessários para alguma coisa como o Torres del Paine.

    Sobre fazer sozinho ou não o W depende muito de você. Depende de quanta de experiência tem. Para uma pessoa que tenha um bom conhecimento de trilhas no Brasil não vejo necessidade alguma de guia, mas isso é uma escolha individual.

    Estou a disposição para te ajudar com mais informações. Abraços, Rodrigo.

  3. Oi Rodrigo…Sei q já faz um tempo q vc fez esta viajem mas, estou indo passar 7 dias com minha esposa e filha de 8 anos e faremos um passeio bem ” turistico tradicional ” nesta região e só querias saber uma coisa : Vc se lembra de como eram as temperaturas nesta época ? Será q chove bem por ali ?
    Qualquer informação será de grande valia. E a propósito a carta topografica da região vc conseguiu como ?
    Obrigado,
    Renato Hauschild

  4. Oi Renato, de noite sempre fazia frio. Não um frio extremo, eu diria que um pouco mais frio que os dias mais frios do inverno de São Paulo. E de dia geralmente era quente, exceto quando o tempo fechava. Não tenho muita certeza, mas chuto que as temperaturas mais frias que pegamos estavam em torno do zero graus. É claro que isso pode variar bastante.

    Se vocês forem fazer as caminhadas, é importante ter roupas impermeáveis. Pegamos algumas chuvas fracas e sei que pode até nevar por lá, mesmo durante o verão. Não pegamos chuvas fortes.

    A carta é fácil de conseguir em Puerto Natales mesmo. A grande maioria das lojas de lá voltadas para os turistas tem essa carta. Eu sempre gosto de usar carta e bussóla, mas lá no Torres del Paine os trajetos estão bem sinalizados e tem bastante gente. Não é fundamental para quem for fazer as trilhas principais.

    Abraços, Rodrigo.

  5. Ola Rodrigo, li em seu blog que você teve problemas com seu fogareiro modelo Dual Fuel da marca Coleman, estava para comprar um porem, fiquei em dúvida após o que li.

    qual o problema que deu no seu fogareiro? Entupiu? Altitude? Com gasolina ou benzina, a que temperatura ambiente?

    No mais, agradeço – belo site, boas info´s etc…

    Rafael

  6. Olá Rafael, na verdade o fogareiro era de um dos amigos que estava viajando comigo. Tenho um MSR Internationale que uso até hoje e nunca deu problema.

    Nunca descobrimos direito o que aconteceu com o fogareiro. Não estávamos em altitude quando aconteceu o problema. Estávamos cozinhando com benzina em um dos acampamentos do Torres del Paine e começou a sair fogo por todos os lados. Jogamos água para apagar e nunca mais voltamos a acender ele com medo de acontecer alguma coisa pior.

    Meu amigo devolveu para a loja onde havia comprado e eles deram para ele um novo do mesmo modelo que funciona até hoje.

  7. Olá Rodrigo,

    Encontrei sei blog através de pesquisas no google e gostaria de pedir uma opinião: vamos pra Torres Del Paine em Outubro, mas não vamos acampar, apenas faremos as trilhas pequenas do tour… e talvez visitaremos o Glaciar Grey no 2º dia… vc acha que mesmo assim precisamos das botas impermeáveis? Ou tênis comuns (que usamos na cidade) servem? Tenho lido em vários lugares que lá chove bastante, por isso temos pensado em comprar as botas impermeáveis (vi indicações da Quechua Forclaz 500 como sendo boa), mas estamos em dúvida se é realmente necessário.
    Obrigada!!!

  8. Oi Vania, isso é bem relativo e vai do que cada um está afim de enfrentar. Quando fiz o Circuito Grande tinham três meninas do Chile fazendo o mesmo percurso de tênis comum e calça jeans. Elas passaram um tanto de frio e molharam o pé várias vezes mas se divertiram um monte e completaram a travessia. Acho que dá para fazer essas caminhadas sem uma bota impermeável mas tem que estar mais disposto para molhar o pé e passar frio eventualmente. Como vocês não vão estar acampando o perrengue é menor. Para o Glaciar você precisa de uma bota mas tenho quase certeza que ela está inclusa no preço que você paga para a empresa.

  9. Oi, ótimo relato e belas fotos! Vou fazer a circuito “O” em dezembro, seu relato me deixou mais animada… só estou com um receio e acho que você poderia me ajudar, rs.
    Li em outro relatos que há um trecho ao lado do Glaciar Grey onde venta bastante, e existe um abismo ao lado da trilha. Enfim, estou morrendo de medo! hahaha
    Você achou esse trecho tranquilo? Abraços

  10. Pelo que me lembro é tranquilo. Pode ventar bastante e é sempre bom consultar com os guarda parques em relação a previsão do tempo. Mas não deixe de ir por causa disso, se não se sentir segura para caminhar em algum trecho só de ter chegado até lá já vai valer a pena. Mesmo que tenha que voltar o que acho pouco provável.

  11. E ai cara, beleza?

    Estou indo estes dias fazer o circuito O, porém estou com uma dúvida, como estou indo sozinho, penso em levar uma mochila de 80 litros, para carregar meus equipamentos e roupas, porém não totalmente cheia, pesará mais ou menos uns 17 kg e estou pensando também em levar uma mochila de 40 litros, somente para a alimentação e kit primeiros socorros. Você acha viável fazer isto?

    Abraço.

  12. Olá Ivan,

    Viável em que sentido? Quando fui levei barraca, comida e tudo mais. As mochilas pesavam em torno de 30kg.

    Eu não levaria a mochila de 40 litros para diminuir o peso (assumindo que você que carregar ela junto com a de 80 litros). Usaria a mochila de 80 litros vazia para caminhadas pequenas.

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